As origens misteriosas do VRILL.

Um dos grupos de ocultismo mais sinistros da história foi criado depois da primeira guerra mundial com o propósito de vingar a derrota e humilhação alemã. Suas origens místicas parecem ter saído de um aglomerado de informações advindas de fontes literárias e fictícias do final do século 18.

Circulo vrill

Esta Sociedade secreta alemã foi a mais misteriosa e poderosa do período que foi do final da primeira guerra mundial até o fim da segunda, e ainda é influente até hoje. Homens da cúpula nazista faziam parte de sua mais alta composição. Seu objetivo: alcançar e reviver a raça ariana.

Dentro dessa sociedade, seus membros cometiam assassinatos, evocavam espíritos, realizavam orgias sexuais, e até mesmo sacrifícios humanos. Seus membros tinham uma obsessão pela energia Vrill, uma força universal que segundo os membros dessa sociedade, podia levar a poderes como a cura, evocar doenças e praticar a telecinese.

Para garantir que conseguissem acesso a essa energia, precisavam de grandes esforços e muita prática da meditação. Orgia e magia sexual eram usadas com muita frequência, pois para eles isso permitia “colher” o Vrill. Era a primeira grande sociedade secreta a aceitar mulheres como membros efetivos, pois, eram vistas como seres divinos e sua energia feminina era necessária para o Vrill.

Fontes documentais e pessoais confirmam que utilizavam sacrifícios de crianças em seus rituais. Era uma crença de milhares de anos que apontava que os sacrifícios de crianças eram mais “proveitosos”, porque elas conteriam – segundo essa lenda local – um poder mais concentrado e poderoso, pois eram portais entre o mundo astral e físico.

Nessa época muitas crianças estavam órfãs na Alemanha do pós-guerra e seus desaparecimentos não eram notados.

The Power of the Coming Race

[http://en.wikipedia.org/wiki/Vril]

O conceito do Vrill vem do livro [The coming race, 1871], do autor Edward Bulwer-Lytton. No livro, uma raça chamada Vril-ya, vivia debaixo da terra em um mundo subterrâneo, paralelo ao nosso e que faziam quase qualquer coisa com tal energia. Essa obra de ficção se tornou um fenômeno na época e foi creditada como real e um fato verídico. No livro, os seres que utilizam e controlam o Vrill, podiam usá-la para curar e matar. Uma criança Vril-ya poderia usar a energia para destruir uma cidade inteira. O final do livro apresenta um alerta: os guardiões do Vrill poderiam acabar e dominar o mundo muito facilmente a qualquer momento. Daí a obsessão nazista para conseguir controlar essa energia.

Criança Vril-ya

A fundação da sociedade

Começou em 1918 na Bavária, em um hotel nas montanhas, onde vários praticantes de magias ocultas, artistas e políticos poderosos, se organizaram para criar uma associação oculta do Vrill. Seus membros fundadores eram criadores de outra sociedade, a Thule. Um de seus fundadores acreditava que pavimentava o caminho para um novo messias (Hitler). Esse falso profeta se autodenominava João Batista e era um dos fundadores do partido nazista. Médiuns dessa sociedade “teriam profetizado” a vinda de Hitler.

Em dois anos toda cúpula do nazismo estava nessa sociedade: Hermann Göring, Martin Bormann, Heinrich Himmler, Rudolf Hess, e Hittler.

Helena Blavatsky

[http://pt.wikipedia.org/wiki/Helena_Blavatsky]

Fundou a sociedade teosófica e se transformou em uma referencia ocultista. Viajou o mundo todo e escreveu a “Doutrina Secreta”, a obra que deu origem e reconhecimento a Teosofia.  Suas bases filosóficas são constituídas com conhecimentos indianos e tibetanos. O livro combina a ciência com religião, em um sincretismo de filosofias totalmente diferentes que impressionaram os mais ávidos leitores da época. No livro ela cita uma raça Raiz Ariana, que teriam sido ancestrais da raça Atlântida. Seus ensinamentos eram famosos na Alemanha, mais que em qualquer outra parte do mundo.

Para muitos estudiosos esses princípios teosóficos eram fontes das ideologias nazistas que alimentavam a propaganda do partido. A raça ariana era uma ambição e um projeto para o engrandecimento e imortalização da sociedade alemã, segundo Hitler.

Energia para evolução

Precisavam de fontes de energias extensas, pois não possuíam fontes petrolíferas e por isso tinham uma necessidade de manipulação do Vrill para suprir toda a demanda e necessidade energética alemã.

Hitler criou uma organização para procurar as fontes para essa energia. Com financiamento público foram até o Tibete e fizeram inúmeros testes em moradores do local e escavações, esperando acumular informações biológicas e arqueológicas para encontrar fatos que os ligassem aos lendários atlantes.

A suástica

Segundo os ocultistas da sociedade Vrill, uma energia que vinha do símbolo da suástica, que tem origem em muitos povos ao redor do mundo, era vista importante para adquirir a energia Vrill. Era também um símbolo nórdico de Thor. Uma das maiores curiosidades da suástica nazista foi a modificação da sua rotação para o sentido Anti-Horário, uma alusão ao “caminho da mão esquerda”, pois em vários panteões mitológicos, os deuses bons estão a direita, os maus, a esquerda.

Torre Norte

[http://pt.wikipedia.org/wiki/Wewelsburg]

Himmler era o membro mais ativo, cruel e lunático da sociedade, e tentava encontrar inúmeras formas de vencer a guerra. Com a intenção de encontrar uma forma eficiente de evocar e controlar a energia Vrill, ele comprou e reformou um castelo da idade média (Wewelsburg), e fez dele o templo de iniciação da energia Vrill. Todo o castelo tem um tom sombrio e assustador, mas um cômodo teve uma importância maior, a torre norte.

Era dividida em duas partes: a de cima abrigava uma roda solar negra, símbolo da sociedade do Vrill. Só os maiores oficiais da SS tinham acesso ao castelo e conta-se que muitos rituais e missas negras eram realizadas nessa torre.

A outra parte mais oculta da torre era a cripta, um local totalmente sombrio, com pouca iluminação e com uma perfeita acústica. Há também pedestais perto das paredes para os mais importantes comandantes da SS e um espaço no centro para Himmler.

Roda Solar-Negra, com um design feito por um arranjo de suásticas.

As bruxas de Salém

“Uma mentira repetida mil vezes, torna-se verdade”.

Essa frase “regurgitada” pelo então número dois do partido nazista, Joseph Goebbels, ministro da propaganda, é perfeita para nortear a histeria ocorrida em Salém, um povoado ao norte de Boston.  A repetição e encenação de uma grande mentira como a que atormentou essa cidade localizada em Massachusetts no final do Século XVII, foi fundamental para que ocorresse grandes mudanças na justiça americana, e mudanças na sociedade no que tange a liberdade religiosa na América.

Uma encenação?

Tudo começa com uma escrava chamada Tituba, que ao contar histórias horripilantes de sua terra e seus custumes religiosos para as moças de Salém, teria desencadeado um terror generalizado nas jovens mulheres que as fariam entrar em coma, ter convulsões misteriosas, vomitarem, gritarem desesperadamente e até latirem.O pastor Mister Parris vendo que sua filha Betty, uma das “vítimas do diabo”, também apresentava esses sintomas, clamou por investigações na povoação.  Esse acontecimento estranho chamou a atenção de um reverendo exorcista e caçador de bruxas chamado John Hale que ao chegar a Salém com seus livros de instruções para caçar bruxas, interrogou todos os envolvidos no caso.  Abigail, uma das jovens “atormentadas”, confessou que a escrava Tituba teria sido a responsável pela crise. Imediatamente Tituba fora açoitada e torturada para que confessasse ser serva do diabo. Tituba para se livrar do seu sofrimento, “confessou” ser serva de Satanás.

Jovem tendo "crise" em um dos julgamentos do tribunal

O tribunal

As “encenações” das jovens forçaram a ida de um magistrado chamado Samuel Sewall que conduziu o julgamento da forma mais puritana e sem provas materias. A histeria era tão intensa que alguns dos acusados eram condenados apenas por citar o nome do diabo ou estar presentes em momentos em que algo inusitado acontecia, como uma fogueira tendo picos altos de chama. Mais de 300 pessoas seriam acusadas e em menos de um ano dezenas de pessoas seriam enforcadas ou torturadas até a morte como Giles Corey, que fora comprimido por várias pedras em cima de seu corpo, uma prática conhecida nas inquisições católicas na Europa medieval.

Resultado

A colônia americana era habitada por cristãos puritanos que fugiram das perseguições que sofriam na Europa por sua crença, e este mesmo caso de fanatismo religioso em Salém demonstrou a sociedade que eles mesmos perseguiam e eram intolerantes a outras religiões em seu território. Desde então a liberdade de culto religioso nas colônias foi amplamente discutido pelas autoridades civis e religiosas. O próprio juíz Samuel Sewall , que presidira o tribunal da morte em Salém, lamentou seu julgamento e anos depois revelou ter sido precipitado e injusto nos julgamentos no povoado, onde vários camponeses inocentes perderam a vida em um claro caso de intolerância religiosa, episódio conhecido desde então como as Bruxas de Salém.

Samuel Sewall

Elisabeth Bathory, a Condesa de Sangue.

Vampiros… Mito, realidade, sensualidade, sobrenatural, fascinação. Como dito no artigo sobre Vlaad, o empalador, temos uma “queda” pelo medo, um tipo de necessidade de procurá-lo e absorvê-lo como uma esponja seca. A enorme quantidade de filmes e jogos sobre tal assunto que consumimos e nos deleitamos, esquecemos de um pequeno detalhe: Algumas vezes o verídico supera o fictício.

Elizabeth Bathory

Nascida na alta nobreza húngara em 1560, poliglota, de educação, beleza e inteligência conhecidas pelo reino, Elizabeth não parecia ter qualquer tipo de problema ou distúrbio. Aos 11 anos casou-se com o conde Ferencz Nadasdy, um dos maiores guerreiros do reino na época e que na maior parte do ano estava fora de casa por ocasião das guerras. Exatamente nestes períodos em que ela estava só, aproveitava para praticava seus crimes mais hediondos.

A condessa experimentou e cometeu diversos tipos de torturas e atrocidades onde viveu. Inúmeros corpos sem sangue foram encontrados próximos de suas propriedades, um número perto de 650 mulheres jovens. Costumava furar com um punhal e retirar do corpo das jovens todo o sangue para banhar-se, pois acreditava que fazendo isso, sua pele e corpo iriam se regenerar, mantendo sempre sua juventude.

Vida

A história da vida de Elizabeth começa na antiga fronteira entre a Roménia e a Hungria no castelo Ecsed, onde a família Bathory estava instalada. Em 1560, George Bathory (de descendência Ecsed) e Anna Bathory (de descendência Somlyo) tiveram uma filha, Elizabeth, fruto de um casamento entre duas nobres húngaras. A família Bathory era uma das mais ricas e poderosas famílias protestantes em toda a Hungria. Nela existiram dois dos mais importantes príncipes reinantes na Transilvânia, um vasto número de heróis de guerra, oficiais da igreja na Hungria e até mesmo um grande construtor de impérios, Stephen Bathory, príncipe da Transilvânia e rei da Polônia. Para além destes nobres a família Bathory era constituída por mais pessoas de um foro não tão nobre. Elizabeth tinha um tio que era supostamente adicto aos rituais e adoração em honra de Satanás, uma tia, Klara Bathory, conhecida como lésbica e bissexual que se divertia a torturar criados e ainda um irmão, Stephan, conhecido pela sua fama de bêbado e libertino. 

Prováveis motivos da Sadicidade de Bathory

A psicologia nos diz que a formação de caráter e personalidade de um psicopata, são frutos de distúrbios presenciados e/ou sofridos durante a vida do indivíduo enquanto jovem. Bathory e sua família, sofreram vários atentados em sua trajetória, e são conhecidos prováveis casos onde tais distúrbios possam ter colaborado para a diabólica mente perturbada de Elisabeth. Como na vez em que durante a estadia dos ciganos no castelo, um deles foi acusado de vender crianças aos turcos. Foi levado a julgamento, considerado culpado e sentenciado à morte. Elizabeth lembrava-se do choro do cigano durante a noite, lamentando a sua sentença e isso deve tê-la impressionado. De madrugada, Elizabeth escapou à vigilância da sua ama e correu para fora do castelo para ver a punição. Aí viu um cavalo no chão, moribundo, e alguns soldados a abrirem-lhe a barriga. Três dos soldados agarraram então no cigano e puseram-no dentro da barriga do cavalo, deixando-o apenas com a cabeça de fora e seguidamente coseram a barriga com uma agulha e linha.

Outro relato que se conhece, mas não se sabe se é verídico é o seguinte:

– Aos nove anos de idade, um grupo de rebeldes atacou o seu castelo. A maior parte deste foi destruída e muitas das pessoas que lá viviam foram torturadas, violadas e posteriormente mortas. Elizabeth e as suas duas irmãs Anichka e Shandra foram levadas pelas suas amaspara se esconderem na floresta. Elizabeth encontrou refúgio numa árvore, mas as suas irmãs foram encontradas e torturadas até a morte. Elizabeth não teve outra escolha senão ver as suas irmãs e aias a serem violadas e mortas. Mais tarde encontrou o caminho para casa e viu os assassinos sentados numa mesa, posta fora do castelo, com o seu líder, Dozsa, numa cadeira de ferro, com fogo no fundo da mesma estando ele a ser cozinhado. Os outros assassinos foram obrigados a comer a carne cozinhada do seu líder. Parece que alguns não se importaram muito, talvez porque tinham fome na altura… Foram depois mortos. Esta punição foi infligida neles quando foram apanhados e o tio de Elizabeth pronunciou a sentença. O castelo foi restaurado, mas ninguém pôde preencher o vazio causado pela perda das irmãs e pai de Elizabeth.

Sadismo e viuvez.

Em uma época de guerras e sadicidade desenfreada na região dos Bálcãs, Bathory se distinguia dos demais assassinos de guerra e psicopatas de todas as espécies. Ela não apenas punia os que infringiam seus regulamentos, como também encontrava todas as desculpas para infligir castigos, deleitando-se na tortura e na morte de suas vítimas. Espetava alfinetes em vários pontos sensíveis do corpo das suas vítimas, como, por exemplo, sob as unhas. No inverno, executava suas vítimas fazendo-as se despir e andar pela neve, despejando água gelada nelas até morrerem congeladas.

O marido de Bathory juntava-se a ela nesse tipo de comportamento sádico e até lhe ensinou algumas modalidades de punição: o despimento de uma mulher e o cobrimento do corpo com mel, deixando-o à mercê de insetos. O conde Nadasdy (esposo de Elisabeth) morreu em 1604, e Elisabeth mudou-se para Viena após o seu enterro. Passou também algum tempo em sua propriedade de Beckov e no solar de Čachtice, ambos localizados onde é hoje a Eslováquia. Esses foram os cenários de seus atos mais famosos e depravados.

Nos anos que se seguiram à morte do marido, a companheira de Elisabeth no crime foi uma mulher de nome Anna Darvulia, de quem pouco se sabe a respeito. Quando Darvulia adoeceu, Elisabeth se voltou para Erzsi Majorova, viúva de um fazendeiro local, seu inquilino. Majorova parece ter sido responsável pelo declínio mental final de Elisabeth, ao encorajá-la a incluir algumas mulheres de estirpe nobre entre suas vítimas. Em virtude de estar tendo dificuldade para arregimentar mais jovens como servas à medida que os rumores sobre suas atividades se espalhavam pelas redondezas, Elisabeth seguiu os conselhos de Majorova. Em 1609, ela matou uma jovem nobre e encobriu o fato dizendo que fora suicídio. Esse fato deu início a uma série de investigação sobre o desaparecimento das centenas de jovens, até então.

Castelo da família Bathory

Prisão e morte

No início do verão de 1610, tiveram início as primeiras investigações sobre os crimes de Elisabeth Bathory. Elisabeth foi presa no dia 26 de dezembro de 1610. O julgamento teve início alguns dias depois, conduzido pelo Conde Thurzo. Uma semana após a primeira sessão, foi realizada uma segunda, em 7 de janeiro de 1611. Nesta, foi apresentada como prova uma agenda encontrada nos aposentos de Elisabeth, a qual continha os nomes de 650 vítimas, todos registrados com a sua própria letra.

Seus cúmplices foram condenados à morte, sendo a forma de execução determinada por seus papéis nas torturas. Elisabeth foi condenada à prisão perpétua, em solitária. Foi encarcerada em um aposento do castelo de Čachtice, sem portas ou janelas. A única comunicação com o exterior era uma pequena abertura para a passagem de ar e de alimentos. A condessa permaneceu aí os seus três últimos anos de vida, tendo falecido em 21 de agosto de 1614. Foi sepultada nas terras dos Bathory, em Ecsed.

Símbolo sobre o túmulo de Bathory

Ao escreve Drákula, Bram Stoker tomou conhecimento de tais fatos e história horripilante da vida de Elisabeth e Vlad Tepes, o que lhe proporcionou um farto perfil assassino-demoníaco para criação de sua personagem vampiro como a conhecemos hoje em todas as lendas e filmes existente sobre vampiros.

Tibério e Caio Graco

Desde a segunda metade do século XVIII, a principal preocupação do homem tem sido a igualdade de direito e social.  Com a expansão da industrialização, a sociedade tem se mostrado sensível as constantes mudanças de posições econômicas, deixando para traz as divisões por heranças de títulos de nobreza. O que antes fora comandado por nobres e clérigos, deu origem a ricos industriais de origem burguesa que cada vez mais durante os avanços modernos e maravilhas do industrialismo tiveram suas fortunas e poder aumentado, tomando para si o poder político. O que antes foi considerado como hilotas, servos, plebe e escravos, foi a base para o surgimento de uma nova classe: O proletariado.

Tribuno da Plebe

Desde então, inúmeros conflitos entre os novos seguimentos sociais de divisão tem mostrado um interesse por muitos personagens históricos que clamaram por justiça social. Episódios como o Cartismo, Ludismo, Comunismo, Feminismo e movimentos sociais armados como a Cabanagem, tem se inspirado em heróis que dedicaram sua vida para uma sociedade mais justa. Com o tempo alguns desses heróis tiveram seus feitos e trajetórias resgatados a fim de fortalecer os ideais e inspirar tais movimentos.

Tibério e Caio Graco

A república romana foi marcada pelo completo fortalecimento de algumas famílias patrícias que desde as novas conquistas como Cartago e península Itálica, aumentaram suas vastas terras produtivas e seu “rebanho” de escravos. Para os plebeus, as grandes conquistas não significaram muito e não acrescentaram riquezas ou poses, pois o controle que os senadores patrícios impunham não podia ser confrontado. Com o tempo o controle e os vícios patrícios seriam corroídos e levariam a uma possível guerra civil e o estopim poderia ser a divisão de terras produtivas dos nobres patrícios para os plebeus.

Advindos da classe mais rica dos plebeus, os irmãos Graco não poderiam aspirar aos cargos de senadores – somente aos patrícios mais ricos e poderosos – e somente poderiam tomar posse do cargo de Tribuno da Plebe. Considerado um cargo poderoso e eleito pelos próprios plebeus, o tribuno poderia criar e vetar leis mesmo com a oposição dos senadores, além de estarem durante o exercício do cargo totalmente imune. Dividindo as opiniões entre os romanos de sua época, os irmãos Graco tentaram impor leis que melhorariam as condições de vida da maior parcela da população de Roma, e para conseguirem tal feito, precisariam impor reformas na principal fonte de fortuna dos poderosos aristocratas patrícios: Suas terras.

Tibério Graco (163-133 a.c) foi o primeiro defensor de tal reforma e assim que foi eleito Tribuno da Plebe, procurou implantar seu plano por meio do poder que lhe fora concedido. Apresentando um projeto de lei que dividiria as terras públicas (Ager Publicus) entre os abastados de Roma, e para isso propôs um compensação para os latifundiários. Diante do risco de perda de suas terras e diminuição da sua influência sobre a república, a elite senatorial se viu ameaçada e tomou a dianteira para acabar com a ambição de Tibério. Com uma manobra ousada, porém legal, os senadores apoiaram seu representante Octavius para concorrer ao cargo de Tribuno e vetar as leis de Tibério. Em contrapartida, Tibério tentou mobilizar a plebe para depor Octavius e aprovar a reforma, mesmo que indo contra as leis. Tibério ainda tramou uma assembléia tribal a fim de transformar as heranças do reino de Pérgamo que seu recentemente falecido rei Átalo III concedera a Roma, em recursos financeiros para por em prática seu ambicioso, porém quase realizado, plano de reforma social.

Para a classe dos Patrícios só havia uma solução para acabar com a revolução ameaçadora, e para isso teve mais uma vez a ajuda de Tibério quando esse propôs sua própria reeleição quebrando tradições e dando a idéia aos senadores de que seu plano o levaria a um tirano de Roma. Diante de mais uma ameaça ao seu poder que vinha sendo exercido desde seus tempos do reino, a aristocracia de Roma junto a seus clientes, invadiu o Capitólio onde estava Tibério e o assassinou.

Caio Graco

Dez anos após o assassinato de Tibério em 123 a.c, Caio Graco (158-121 a.c), seu irmão, foi eleito tribuno prometendo aprovar as leis que seu irmão elaborara, além de acrescentar algumas outras reformas. Seu cargo, agora sustentado por uma nova lei que permitia sua reeleição, lhe deu amplo poder que o permitiu implantar grandes mudanças. A mais importante delas seria a regularização e manutenção dos preços dos baixos do trigo (principal matéria prima da dieta dos romanos) o ano todo. Para isso Caio propôs o armazenamento do trigo em silos após sua colheita, para que a especulação e o alto custo de transporte durante o inverno não aumentasse o preço do cereal. Em relação aos planos de seu irmão, Caio conseguiu com sucesso em Cápua e Terento implantar a redistribuição de terras públicas.

Tibério e Caio Graco

Caio implantou reformas no serviço militar, fundou algumas colônias romanas (entre elas a polêmica colônia de Cartago considerada “maldita” para o império), tentou equilibrar a influência política entre os senadores e os cavaleiros, concedeu direitos romanos a todos os italianos e propôs uma nova forma de cobrança de impostos em Pérgamo (agora chamada de Asia). Mais uma vez a elite de Roma se via ameaçada e tomou medidas para conter as reeleições de Caio. Intrigas políticas fizeram com que sua segunda reeleição não tivesse êxito e com a força dos patrícios, toda sua legislação e mudanças foram extintas pelo novo tribuno. Caio Graco acabou por apelar à violência com revoltas populares, porém abafado e pressionado pelo novo cônsul Lúcio Opímio, não viu outra saída e no ano de 121 a.c, um escravo o assassinou a seu mando.

O insucesso dos irmãos Graco se deve também ao pouco apoio das massas plebéias que com a política de lazer e alienação “Pão e Circo”, não aderiram de forma avassaladora ao plano de redistribuição de terras para o trabalho. Os vícios de Roma junto com o meio de produção escravista “fecharam os olhos” dos plebeus que não queriam deixar os jogos e diversões da capital para fazer o trabalho de um escravo, ainda que fosse totalmente favorável a eles. Ainda assim, mesmo com seus objetivos fracassados, os Gracos são lembrados por tentarem uma reforma igualitária na sociedade em que viveram, mesmo que seus conterrâneos e principalmente a camada menos favorecida que eles representavam: a Plebe.

A faísca da eminente chama protestante.

Em 1369 no vilarejo de Hussinecz, sul da Boêmia, nascia JOHN HUSS. Pastor de uma capela importante em Praga, dedicado aos estudos cristãos, praticante dos ensinamentos humildes e filantrópicos que Jesus nos deixara, aos poucos assimilou a doutrina católica como uma afronta a cristo. Procurou em suas missas “remendar as feridas” espirituais cometidas pelo clero corrupto que assolava a vida européia a vários séculos, e durante o tempo em que dirigiu sua capela foi acumulando seguidores de uma possível reforma protestante já no século XV, muito antes de Lutero e posteriormente, Calvino.

Huss aos poucos começa a ganhar influência através da alta nobreza que freqüenta seus sermões e cada vez mais condenava padres, sacerdotes e bispos, pelos escândalos em que o Clero estava envolvido. Passou a condenar também a SIMONIA – Venda de objetos “sagrados” -, e a INDULGÊNCIA – Venda do perdão -, práticas católicas para obtenção de lucros, e passa a pregar que a bíblia deveria ser traduzida para outras línguas e não só em latim, para que fosse mais difundida. Huss causou mal-estar no alto clero e nesse contexto entra em cena o arcebispo de Praga, um ex-militar chamado ZBYNEK.

Com a autorização do papa, Huss é preso e passa por interrogatórios e tortura presidida por Zbynek que prende também a maior parte dos seguidores de Huss. Em 1415, mesmo com torturas por meio de fogo e mutilações, Huss se nega a rever seus ensinamentos e se declarar um herege e então é condenado a morte na fogueira. Em meio à multidão lhe é permitido uma última chance para se desculpar por seus “crimes”, mas ainda sim ele se nega. Momentos antes da chama ser acessa Huss solta a sua última frase que se tornaria imortal e indicadora de uma grande mudança: “Hoje vocês estão queimando um GANSO (Huss em Boêmio), mas daqui a um século encontrar-se-ão com um CISNE. Esse Cisne vocês não queimarão”. Huss então é queimado enquanto cantava em voz alta uma música cristã.

Preparação da fogueira para Huss.

  • A realização profética.

Em 31 de Outubro de 1517, um pouco mais de um século após a morte de John Huss, precisamente 102 anos, Martinho Lutero (CISNE) um monge e professor de uma universidade católica de Wittenber, cidade localizada no Sacro Império Romano Germânico, cansado com a venda de indulgências na Alemanha, pregou na porta da Igreja de Todos os Santos do Castelo de Wittenber suas 95 teses sobre Justificação, Salvação e Fé. Nelas também deixou bem claro sua oposição para com os erros da Igreja Católica Romana.

Protegido e fortalecido pela nobreza alemã que pretendia secularizar as terras da Igreja Católica de Roma em solos do Sacro-Império, Lutero lutou contra o papa Leão X, que em 1520 redigiu uma carta condenando sua obra e exigindo a retratação do monge, ameaçando-o de excomunhão. Em 1521 o imperador Carlos V convocou Lutero a fim de negar suas idéias num encontro chamado Dieta de Worms. Durante o encontro Lutero reafirmou suas crenças e foi considerado herege. Mesmo com a oposição da Igreja, setores da nobreza alemã resolveram proteger Martinho Lutero.

Lutero na dieta de worms.

Lutero então em meio ao caos em que vivia a Europa central pelas constantes brigas e guerras entre nobreza e clero, redigiu a Confissão de Augsburgo, que continha as bases da doutrina luterana que, entre outros pontos, defendia a salvação pela fé, a livre interpretação do texto bíblico, a negação do celibato e da adoração a imagens, a realização de cultos em língua nacional e a subordinação da Igreja ao Estado. Tais mudanças geraram ainda mais conflitos no império que somente em 1555, com a assinatura da Paz de Augsburgo, os conflitos sociais e religiosos cessaram de vez, dando início a proliferação protestante na Europa nesse período até os dias atuais.

95 teses sobre Justificação, Salvação e Fé

O Cisne Lutero.

Drakulya, o empalador e príncipe do medo.

Príncipe Vlad Tepes Drakulya

O medo é um instinto extremamente necessário ao homem e talvez por isso nós tenhamos atração por ele. O vampiro é um grande personagem do nosso desejo de sentir medo e em todos os lugares é possível encontrá-lo. Quem nunca assistiu a um filme sobre vampiros ou algo similar? Sim, é sinistro e assustador, pensar que há um ser que se alimenta de sangue de humanos. Os vampiros inspiram muitos produtos como bonecos, filmes, desenhos, músicas, roupas e estilos góticos… E tudo isso graças a um livro e um escritor: Bram Stoker, um irlandês que em 1897 publicou um conto sobre uma criatura terrível que matava e tomava o sangue de suas vítimas para se manter viva e forte, que antes de se chamar Drákula, foi chamado por ele de conde vampiro.

Mas antes mesmo de Stoker, a lenda de vampiros assassinos e bebedores de sangue já existia a pelo menos 4 mil anos com vestígios de escrituras e desenhos em algumas das mais antigas civilizações, como a babilônica. Na Roma e na Grécia havia lendas de vampiros que possuíam formas humanas de moças lindas que atraiam suas vítimas usando sua sedução para depois lhe roubarem a vida. Mas apesar das muitas lendas do mundo antigo, a principal fonte de inspiração para a criação de Bran Stoker foi um príncipe romeno que viveu no século XV: Vlad Drakulya, Príncipe de Valáquia.

O príncipe Vlad Drakulya, mais conhecido como Vlad Tepes ( Vlad, o empalador ), foi um príncipe de uma região da Romênia chamada Transilvânia. No período em que esteve no poder, ajudou a conter o avanço islâmico do império Turco-Otomano que assediava a Europa, pondo em risco toda a cristandade já que no ano de 1453, os turcos tinham conquistado a cidade de Constantinopla, antiga capital do império romano oriental. Vlad é lembrado na Romênia como um grande governante que enfrentou os turcos e repeliu todo tipo de desordem, mas sua fama maior é devido ao seu insaciável sadismo que praticou durante sua vida.

Drakulya cometia atrocidades inimagináveis: Empalava – Fincar uma estaca do ânus até a boca – pessoas ainda vivas, mergulhava mães e filhos em água fervente, cortava seus prisioneiros vivos, obrigava seus súditos a cometer canibalismo, queimava-os sem terem cometido algum crime ou ofensa. O príncipe tinha um paladar culinário um tanto exótico, gostava de mergulhar o pão que comia no sangue que escorria de suas vítimas que ainda agonizavam enquanto morriam lentamente no empalamento. Estima-se que Vlad (Diabo em romeno) tenha executado pelo menos 200 mil pessoas cruelmente, fora os inimigos turcos.

Vlad comendo em meio a execuções de prisioneiros

O príncipe tinha herdado de seu pai – Vlad Drakul – o trono do reino e a ordem de Drakul, uma ordem religiosa criada para manter a integridade da cristandade contra os turcos. Quando foi coroado cometeu seu primeiro ato de crueldade, pois convidou para a cerimônia da sua coroação mais de 400 aristocratas além de dois bispos e um arcebispo. Vlad mandou trancar todas as portas do castelo onde estavam seus convidados e em seguida seus soldados empalaram a todos. O príncipe assistiu a atrocidade demoníaca do alto da torre do castelo imaginando o farto banquete que depois faria.

Certa vez o príncipe recebeu emissários e embaixadores de outros reinos balcânicos e estes tinham sobre a cabeça uma espécie de chapéu que não costumavam tirar. Vlad acreditava que diante de um monarca como ele, todos deveriam se curvar respeitosamente tirando qualquer acessório a cabeça, mas aqueles homens disseram-no que de onde vinham não era costume tirá-lo. Drakulya então “gentilmente” mandou pregar os chapéus na cabeça dos embaixadores para que nunca mais precisassem se dar o trabalho de tirá-los. É sabido também que quando um prisioneiro fugiu de um calabouço do castelo, um guarda o seguiu até os aposentos de Vlad. O príncipe matou os dois, pois segundo ele não se pode entrar na casa de um cavalheiro sem ter permissão.

Vlad foi inúmeras vezes aprisionado, tendo ficado mais tempo nas prisões do que em liberdade. Seus hobbies preferidos enquanto estava preso eram praticar torturas a ratos e pássaros, esfolando-os e até empalando-os com estacas em miniaturas. Vlad morreu de forma hedionda em uma batalha contra tropas otomanas, pois estava com armadura típica do exército turco a fim de atravessar a linha inimiga sem ser notado. Foi morto pelos próprios soldados que estavam desavisados do plano do príncipe. Os turcos decapitaram seu corpo e enviaram a cabeça à Constantinopla – capital do império Turco-Otomano – onde foi exposta em público para mostrar a todos que Vlad Tepes estava morto.

Para quem tiver curiosidade sobre a obra de Bram Stoker, basta assistir DRÁCULA DE BRAM STOKER, filme de 1992 dirigido por Francis Ford Coppola, que conta ainda com grandes atores como Gary Oldman (Vlad Tepes), Winona Ryder (Elisabetha/Mina), Keanu Reeves (Jonathan Harker) e Anthony Hopkins (Van Helsing).

Obs: Para criar Drácula, Stoker também se inspirou em outra psicopata da idade média: Elizabeth Bathory. Em breve estarei postando sua história.

Uma Razão!

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A algum tempo conhecemos um pouco mais sobre a principal revolta regencial sulista brasileira. Na minissérie global “A Casa das Sete Mulheres” contava [ou quase] a história da revolta da Farroupilha (1835-1845), além de aquelas baboseiras cotidianas. Para muitos depois de ver Thiago Lacerda como Garibaldi, mostrando um guerreiro honrado com a humildade e virtudes de um verdadeiro líder e amante quase perfeito, não conhece a verdadeira face do histórico mercenário que matava por dinheiro e incitava matanças e verdadeiros horrores humanos em nome da liberdade.

A Cabanagem (1835-1840) foi a maior e mais importante revolta do império, mesmo que tenha tido um período mais curto que a Farroupilha que durou 10 anos, foi a única vez na história brasileira que um movimento com reinvidicação e participação popular depôs um governo e impôs o seu própio, ainda que por pouco tempo atendeu a vontade do flagelado povo humilde (mestiços, índios, negros) da província do Grão-Pará.

A diferença entre as duas revoltas está na razão pela qual lutar e sacrificar toda uma vida! Uma razão que valha a pena deixar órfãos e viúvas! Uma razão que alimenta a coragem quase subliminar que empurra os revoltosos para a morte certa sem que isso afete sua determinação! Essa razão é a esperança.

No caso sulista a esperânça de que seus negócios provenientes do comércio do charque que alimentavam escravos, trabalhadores das minas, dos canaviais e da nova classe trabalhadora do café. Com a alta nos preços desse produto alimentício, o charque originário da Argentina e Uruguai era mais barato porque era isento de impostos, o que resultou em uma rejeição ao charque gaúcho e maiores negociações entre latifundiários brasileiros e estrangeiros platinos. Isso causou uma série de revoltas no sul que originaram a Guerra dos Farrapos.

Para os pobres e esquecidos cabanos que eram compostos principalmente pelo povo ribeirinho e mestiço, não havia outra forma de reinvidicar seus direitos e diminuir a opressão sobre eles, apenas a luta armada de facões e paus – assim como na futura 4ª guerra mundial -, podiam ter suas exigências atendidas e impostas. E assim foi quando em janeiro de 1835 os revoltosos sob a liderança de Antônio Vinagre em apenas um dia tomaram Belém e impulseram seu governo com Clemente Malcher como presidente do Grão-Pará.

Os cabanos lutavam pela liberdade e justiça social, pela conscientização dos governantes sobre suas condições de vidas animalescas e abandonadas.

Os farrapos lutavam pela justiça comercial e incentivo nacional a seus produtos que concorriam com argentinos e uruguaios.

Os cabanos perderam, pois haviam conflitos internos, e por serem pobres e sem estrutura política foram varridos até o último foco de resistência. Para o governo uma negociação com os bastardos da sociedade só alimentaria novos conflitos no Brasil e faria com que houvesse uma conscientização de uma população até então humilde e silenciada pela opressão latifundiária e imperial.

Os farrapos perderam a guerra, no entanto, como seus líderes eram compostos pela elite latifundiária e pecuarista tiveram uma rendição mais em conta pois algumas de suas exigências foram atendidas. Alguns oficiais do exército rebelde se tornaram oficiais com as mesmas patentes no exército imperial, os escravos do exército foram libertados [alguns], além disso conseguiram o tão esperado aumento da taxa alfandegária sobre o charque.

Com todas as suas aparentes igualdades e diferenças, as duas revoltas buscavam algo que estava além de suas reinvidicações, A ESPERANÇA, mesmo que tenham sido impulsionadas por motivos diferentes.

Em sua opnião, qual foi a mais importante para a história nacional?

cabanagem BRASIL ESCOLA

Cabanos

Carga de Cavalaria7868

"Farrapos"