Uma Razão!

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A algum tempo conhecemos um pouco mais sobre a principal revolta regencial sulista brasileira. Na minissérie global “A Casa das Sete Mulheres” contava [ou quase] a história da revolta da Farroupilha (1835-1845), além de aquelas baboseiras cotidianas. Para muitos depois de ver Thiago Lacerda como Garibaldi, mostrando um guerreiro honrado com a humildade e virtudes de um verdadeiro líder e amante quase perfeito, não conhece a verdadeira face do histórico mercenário que matava por dinheiro e incitava matanças e verdadeiros horrores humanos em nome da liberdade.

A Cabanagem (1835-1840) foi a maior e mais importante revolta do império, mesmo que tenha tido um período mais curto que a Farroupilha que durou 10 anos, foi a única vez na história brasileira que um movimento com reinvidicação e participação popular depôs um governo e impôs o seu própio, ainda que por pouco tempo atendeu a vontade do flagelado povo humilde (mestiços, índios, negros) da província do Grão-Pará.

A diferença entre as duas revoltas está na razão pela qual lutar e sacrificar toda uma vida! Uma razão que valha a pena deixar órfãos e viúvas! Uma razão que alimenta a coragem quase subliminar que empurra os revoltosos para a morte certa sem que isso afete sua determinação! Essa razão é a esperança.

No caso sulista a esperânça de que seus negócios provenientes do comércio do charque que alimentavam escravos, trabalhadores das minas, dos canaviais e da nova classe trabalhadora do café. Com a alta nos preços desse produto alimentício, o charque originário da Argentina e Uruguai era mais barato porque era isento de impostos, o que resultou em uma rejeição ao charque gaúcho e maiores negociações entre latifundiários brasileiros e estrangeiros platinos. Isso causou uma série de revoltas no sul que originaram a Guerra dos Farrapos.

Para os pobres e esquecidos cabanos que eram compostos principalmente pelo povo ribeirinho e mestiço, não havia outra forma de reinvidicar seus direitos e diminuir a opressão sobre eles, apenas a luta armada de facões e paus – assim como na futura 4ª guerra mundial -, podiam ter suas exigências atendidas e impostas. E assim foi quando em janeiro de 1835 os revoltosos sob a liderança de Antônio Vinagre em apenas um dia tomaram Belém e impulseram seu governo com Clemente Malcher como presidente do Grão-Pará.

Os cabanos lutavam pela liberdade e justiça social, pela conscientização dos governantes sobre suas condições de vidas animalescas e abandonadas.

Os farrapos lutavam pela justiça comercial e incentivo nacional a seus produtos que concorriam com argentinos e uruguaios.

Os cabanos perderam, pois haviam conflitos internos, e por serem pobres e sem estrutura política foram varridos até o último foco de resistência. Para o governo uma negociação com os bastardos da sociedade só alimentaria novos conflitos no Brasil e faria com que houvesse uma conscientização de uma população até então humilde e silenciada pela opressão latifundiária e imperial.

Os farrapos perderam a guerra, no entanto, como seus líderes eram compostos pela elite latifundiária e pecuarista tiveram uma rendição mais em conta pois algumas de suas exigências foram atendidas. Alguns oficiais do exército rebelde se tornaram oficiais com as mesmas patentes no exército imperial, os escravos do exército foram libertados [alguns], além disso conseguiram o tão esperado aumento da taxa alfandegária sobre o charque.

Com todas as suas aparentes igualdades e diferenças, as duas revoltas buscavam algo que estava além de suas reinvidicações, A ESPERANÇA, mesmo que tenham sido impulsionadas por motivos diferentes.

Em sua opnião, qual foi a mais importante para a história nacional?

cabanagem BRASIL ESCOLA

Cabanos

Carga de Cavalaria7868

"Farrapos"

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4 Respostas para “Uma Razão!

  1. Bom texto miguel, parabéns!

    Acho que cada revolta teve sua importância aos seus envolvidos. E a “esperança” era o combustível que sustentava suas revoltas. mas em mérito de importância para o brasil…os farrapos se saíram melhor-pelo que eu entendo da história do brasileira. Eles contribuíram para o fortalecimento da economia interna do pais com suas reivindicações em virtude do seu próprio comércio. seu trunfo determinante foi sua influencia dentro do império e suas capacidades politicas e diplomáticas-algo que os cabanos não dispunham(apenas a força bruta desesperada e aplicada de forma mau planejada).
    Eu diria, porém, que os cabanos se encontravam em um fator de risco ainda pior que a pompa dos pampas.

  2. ” os dois foram ótimos!!mas como eu só posso escolher um, escolho os pobres cabanos….” xD

  3. Pô Miguelzinho, muito bem.

    A economia envolve tudo e todos, os farrapos pelo menos conseguiram pouca coisa do que realmente queriam, mesmo perdendo a guerra e envolvendo o comércio nacional.

    É bom ver que alguém lutou pela liberdade e justiça social e como sempre, resultado: nenhum. Por isso que hoje em dia ninguém luta por essa liberdade toda, muitos preferem se acomodar recebendo o dinheirinho de seu comércio pra investir em tecnologias e conforto, aí resta duas alternativas pra quem é o oposto do empresário/comerciante: tentar “evoluir” de tal maneira e “subir na vida” ou ir à luta, lembrando de que quem vai a luta morre calado de qualquer jeito(mesmo gritando) e novamente lembrando, dinheiro é poder sob esse povo todo.

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