Tibério e Caio Graco

Desde a segunda metade do século XVIII, a principal preocupação do homem tem sido a igualdade de direito e social.  Com a expansão da industrialização, a sociedade tem se mostrado sensível as constantes mudanças de posições econômicas, deixando para traz as divisões por heranças de títulos de nobreza. O que antes fora comandado por nobres e clérigos, deu origem a ricos industriais de origem burguesa que cada vez mais durante os avanços modernos e maravilhas do industrialismo tiveram suas fortunas e poder aumentado, tomando para si o poder político. O que antes foi considerado como hilotas, servos, plebe e escravos, foi a base para o surgimento de uma nova classe: O proletariado.

Tribuno da Plebe

Desde então, inúmeros conflitos entre os novos seguimentos sociais de divisão tem mostrado um interesse por muitos personagens históricos que clamaram por justiça social. Episódios como o Cartismo, Ludismo, Comunismo, Feminismo e movimentos sociais armados como a Cabanagem, tem se inspirado em heróis que dedicaram sua vida para uma sociedade mais justa. Com o tempo alguns desses heróis tiveram seus feitos e trajetórias resgatados a fim de fortalecer os ideais e inspirar tais movimentos.

Tibério e Caio Graco

A república romana foi marcada pelo completo fortalecimento de algumas famílias patrícias que desde as novas conquistas como Cartago e península Itálica, aumentaram suas vastas terras produtivas e seu “rebanho” de escravos. Para os plebeus, as grandes conquistas não significaram muito e não acrescentaram riquezas ou poses, pois o controle que os senadores patrícios impunham não podia ser confrontado. Com o tempo o controle e os vícios patrícios seriam corroídos e levariam a uma possível guerra civil e o estopim poderia ser a divisão de terras produtivas dos nobres patrícios para os plebeus.

Advindos da classe mais rica dos plebeus, os irmãos Graco não poderiam aspirar aos cargos de senadores – somente aos patrícios mais ricos e poderosos – e somente poderiam tomar posse do cargo de Tribuno da Plebe. Considerado um cargo poderoso e eleito pelos próprios plebeus, o tribuno poderia criar e vetar leis mesmo com a oposição dos senadores, além de estarem durante o exercício do cargo totalmente imune. Dividindo as opiniões entre os romanos de sua época, os irmãos Graco tentaram impor leis que melhorariam as condições de vida da maior parcela da população de Roma, e para conseguirem tal feito, precisariam impor reformas na principal fonte de fortuna dos poderosos aristocratas patrícios: Suas terras.

Tibério Graco (163-133 a.c) foi o primeiro defensor de tal reforma e assim que foi eleito Tribuno da Plebe, procurou implantar seu plano por meio do poder que lhe fora concedido. Apresentando um projeto de lei que dividiria as terras públicas (Ager Publicus) entre os abastados de Roma, e para isso propôs um compensação para os latifundiários. Diante do risco de perda de suas terras e diminuição da sua influência sobre a república, a elite senatorial se viu ameaçada e tomou a dianteira para acabar com a ambição de Tibério. Com uma manobra ousada, porém legal, os senadores apoiaram seu representante Octavius para concorrer ao cargo de Tribuno e vetar as leis de Tibério. Em contrapartida, Tibério tentou mobilizar a plebe para depor Octavius e aprovar a reforma, mesmo que indo contra as leis. Tibério ainda tramou uma assembléia tribal a fim de transformar as heranças do reino de Pérgamo que seu recentemente falecido rei Átalo III concedera a Roma, em recursos financeiros para por em prática seu ambicioso, porém quase realizado, plano de reforma social.

Para a classe dos Patrícios só havia uma solução para acabar com a revolução ameaçadora, e para isso teve mais uma vez a ajuda de Tibério quando esse propôs sua própria reeleição quebrando tradições e dando a idéia aos senadores de que seu plano o levaria a um tirano de Roma. Diante de mais uma ameaça ao seu poder que vinha sendo exercido desde seus tempos do reino, a aristocracia de Roma junto a seus clientes, invadiu o Capitólio onde estava Tibério e o assassinou.

Caio Graco

Dez anos após o assassinato de Tibério em 123 a.c, Caio Graco (158-121 a.c), seu irmão, foi eleito tribuno prometendo aprovar as leis que seu irmão elaborara, além de acrescentar algumas outras reformas. Seu cargo, agora sustentado por uma nova lei que permitia sua reeleição, lhe deu amplo poder que o permitiu implantar grandes mudanças. A mais importante delas seria a regularização e manutenção dos preços dos baixos do trigo (principal matéria prima da dieta dos romanos) o ano todo. Para isso Caio propôs o armazenamento do trigo em silos após sua colheita, para que a especulação e o alto custo de transporte durante o inverno não aumentasse o preço do cereal. Em relação aos planos de seu irmão, Caio conseguiu com sucesso em Cápua e Terento implantar a redistribuição de terras públicas.

Tibério e Caio Graco

Caio implantou reformas no serviço militar, fundou algumas colônias romanas (entre elas a polêmica colônia de Cartago considerada “maldita” para o império), tentou equilibrar a influência política entre os senadores e os cavaleiros, concedeu direitos romanos a todos os italianos e propôs uma nova forma de cobrança de impostos em Pérgamo (agora chamada de Asia). Mais uma vez a elite de Roma se via ameaçada e tomou medidas para conter as reeleições de Caio. Intrigas políticas fizeram com que sua segunda reeleição não tivesse êxito e com a força dos patrícios, toda sua legislação e mudanças foram extintas pelo novo tribuno. Caio Graco acabou por apelar à violência com revoltas populares, porém abafado e pressionado pelo novo cônsul Lúcio Opímio, não viu outra saída e no ano de 121 a.c, um escravo o assassinou a seu mando.

O insucesso dos irmãos Graco se deve também ao pouco apoio das massas plebeias que, em uma economia movida pelo trabalho escravo, não aderiram de forma avassaladora ao plano de redistribuição de terras para o trabalho. Os vícios de Roma junto com o meio de produção escravista “fecharam os olhos” dos plebeus que não queriam deixar os jogos e diversões da capital para fazer o trabalho de um escravo, ainda que fosse totalmente favorável a eles. Ainda assim, mesmo com seus objetivos fracassados, os Gracos são lembrados por tentarem uma reforma igualitária na sociedade em que viveram, mesmo que seus conterrâneos e principalmente a camada menos favorecida que eles representavam: a Plebe.

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16 Respostas para “Tibério e Caio Graco

  1. Todos nos temos potenciais Pebles e Nobres. Mas são rótulos,apenas rótulos.

    Assim como o poder divide os homens, os distancia de si mesmos. Depois de se tornar nobres, onde será que agente enfiam o bem comun???). Pronto falei =D

    politica é isso ae….Miguel.
    falow

      • Odiei esse texto nao consegui fazer minha pesquisa,pq nao poderia ser mais resumida que dro!!!!Ainda bem que tenho minha namorada para me ensinar em vez desse site.

      • o texto não foi feito com intenção de auxiliar em relatórios, apenas como informativo. obrigado pela visita.

  2. o autor do texto se perdeu em algumas colocações, como, por exemplo, “mesmo que seus conterrâneos e principalmente a camada menos favorecida que eles representavam: a Plebe.” Ta faltando a conclusao, haja vista que a oração fora iniciada com um MESMO QUE.. Contudo, o texto me fora muito util!

  3. Gostei muitooo de texto,no entanto, a ultima parte não está correta “O insucesso dos irmãos Graco se deve também ao pouco apoio das massas plebéias que com a política de lazer e alienação “Pão e Circo”, não aderiram de forma avassaladora ao plano de redistribuição de terras para o trabalho.” .Os irmão Graco tentaram impor essas reformas no período republicano enquanto a politica do “pão e circo” só foi lançada por Otavio Augustos,no Império.

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