Drakulya, o empalador e príncipe do medo.

Príncipe Vlad Tepes Drakulya

O medo é um instinto extremamente necessário ao homem e talvez por isso nós tenhamos atração por ele. O vampiro é um grande personagem do nosso desejo de sentir medo e em todos os lugares é possível encontrá-lo. Quem nunca assistiu a um filme sobre vampiros ou algo similar? Sim, é sinistro e assustador, pensar que há um ser que se alimenta de sangue de humanos. Os vampiros inspiram muitos produtos como bonecos, filmes, desenhos, músicas, roupas e estilos góticos… E tudo isso graças a um livro e um escritor: Bram Stoker, um irlandês que em 1897 publicou um conto sobre uma criatura terrível que matava e tomava o sangue de suas vítimas para se manter viva e forte, que antes de se chamar Drákula, foi chamado por ele de conde vampiro.

Mas antes mesmo de Stoker, a lenda de vampiros assassinos e bebedores de sangue já existia a pelo menos 4 mil anos com vestígios de escrituras e desenhos em algumas das mais antigas civilizações, como a babilônica. Na Roma e na Grécia havia lendas de vampiros que possuíam formas humanas de moças lindas que atraiam suas vítimas usando sua sedução para depois lhe roubarem a vida. Mas apesar das muitas lendas do mundo antigo, a principal fonte de inspiração para a criação de Bran Stoker foi um príncipe romeno que viveu no século XV: Vlad Drakulya, Príncipe de Valáquia.

O príncipe Vlad Drakulya, mais conhecido como Vlad Tepes ( Vlad, o empalador ), foi um príncipe de uma região da Romênia chamada Transilvânia. No período em que esteve no poder, ajudou a conter o avanço islâmico do império Turco-Otomano que assediava a Europa, pondo em risco toda a cristandade já que no ano de 1453, os turcos tinham conquistado a cidade de Constantinopla, antiga capital do império romano oriental. Vlad é lembrado na Romênia como um grande governante que enfrentou os turcos e repeliu todo tipo de desordem, mas sua fama maior é devido ao seu insaciável sadismo que praticou durante sua vida.

Drakulya cometia atrocidades inimagináveis: Empalava – Fincar uma estaca do ânus até a boca – pessoas ainda vivas, mergulhava mães e filhos em água fervente, cortava seus prisioneiros vivos, obrigava seus súditos a cometer canibalismo, queimava-os sem terem cometido algum crime ou ofensa. O príncipe tinha um paladar culinário um tanto exótico, gostava de mergulhar o pão que comia no sangue que escorria de suas vítimas que ainda agonizavam enquanto morriam lentamente no empalamento. Estima-se que Vlad (Diabo em romeno) tenha executado pelo menos 200 mil pessoas cruelmente, fora os inimigos turcos.

Vlad comendo em meio a execuções de prisioneiros

O príncipe tinha herdado de seu pai – Vlad Drakul – o trono do reino e a ordem de Drakul, uma ordem religiosa criada para manter a integridade da cristandade contra os turcos. Quando foi coroado cometeu seu primeiro ato de crueldade, pois convidou para a cerimônia da sua coroação mais de 400 aristocratas além de dois bispos e um arcebispo. Vlad mandou trancar todas as portas do castelo onde estavam seus convidados e em seguida seus soldados empalaram a todos. O príncipe assistiu a atrocidade demoníaca do alto da torre do castelo imaginando o farto banquete que depois faria.

Certa vez o príncipe recebeu emissários e embaixadores de outros reinos balcânicos e estes tinham sobre a cabeça uma espécie de chapéu que não costumavam tirar. Vlad acreditava que diante de um monarca como ele, todos deveriam se curvar respeitosamente tirando qualquer acessório a cabeça, mas aqueles homens disseram-no que de onde vinham não era costume tirá-lo. Drakulya então “gentilmente” mandou pregar os chapéus na cabeça dos embaixadores para que nunca mais precisassem se dar o trabalho de tirá-los. É sabido também que quando um prisioneiro fugiu de um calabouço do castelo, um guarda o seguiu até os aposentos de Vlad. O príncipe matou os dois, pois segundo ele não se pode entrar na casa de um cavalheiro sem ter permissão.

Vlad foi inúmeras vezes aprisionado, tendo ficado mais tempo nas prisões do que em liberdade. Seus hobbies preferidos enquanto estava preso eram praticar torturas a ratos e pássaros, esfolando-os e até empalando-os com estacas em miniaturas. Vlad morreu de forma hedionda em uma batalha contra tropas otomanas, pois estava com armadura típica do exército turco a fim de atravessar a linha inimiga sem ser notado. Foi morto pelos próprios soldados que estavam desavisados do plano do príncipe. Os turcos decapitaram seu corpo e enviaram a cabeça à Constantinopla – capital do império Turco-Otomano – onde foi exposta em público para mostrar a todos que Vlad Tepes estava morto.

Para quem tiver curiosidade sobre a obra de Bram Stoker, basta assistir DRÁCULA DE BRAM STOKER, filme de 1992 dirigido por Francis Ford Coppola, que conta ainda com grandes atores como Gary Oldman (Vlad Tepes), Winona Ryder (Elisabetha/Mina), Keanu Reeves (Jonathan Harker) e Anthony Hopkins (Van Helsing).

Obs: Para criar Drácula, Stoker também se inspirou em outra psicopata da idade média: Elizabeth Bathory. Em breve estarei postando sua história.

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