As bruxas de Salém

“Uma mentira repetida mil vezes, torna-se verdade”.

Essa frase “regurgitada” pelo então número dois do partido nazista, Joseph Goebbels, ministro da propaganda, é perfeita para nortear a histeria ocorrida em Salém, um povoado ao norte de Boston.  A repetição e encenação de uma grande mentira como a que atormentou essa cidade localizada em Massachusetts no final do Século XVII, foi fundamental para que ocorresse grandes mudanças na justiça americana, e mudanças na sociedade no que tange a liberdade religiosa na América.

Uma encenação?

Tudo começa com uma escrava chamada Tituba, que ao contar histórias horripilantes de sua terra e seus custumes religiosos para as moças de Salém, teria desencadeado um terror generalizado nas jovens mulheres que as fariam entrar em coma, ter convulsões misteriosas, vomitarem, gritarem desesperadamente e até latirem.O pastor Mister Parris vendo que sua filha Betty, uma das “vítimas do diabo”, também apresentava esses sintomas, clamou por investigações na povoação.  Esse acontecimento estranho chamou a atenção de um reverendo exorcista e caçador de bruxas chamado John Hale que ao chegar a Salém com seus livros de instruções para caçar bruxas, interrogou todos os envolvidos no caso.  Abigail, uma das jovens “atormentadas”, confessou que a escrava Tituba teria sido a responsável pela crise. Imediatamente Tituba fora açoitada e torturada para que confessasse ser serva do diabo. Tituba para se livrar do seu sofrimento, “confessou” ser serva de Satanás.

Jovem tendo "crise" em um dos julgamentos do tribunal

O tribunal

As “encenações” das jovens forçaram a ida de um magistrado chamado Samuel Sewall que conduziu o julgamento da forma mais puritana e sem provas materias. A histeria era tão intensa que alguns dos acusados eram condenados apenas por citar o nome do diabo ou estar presentes em momentos em que algo inusitado acontecia, como uma fogueira tendo picos altos de chama. Mais de 300 pessoas seriam acusadas e em menos de um ano dezenas de pessoas seriam enforcadas ou torturadas até a morte como Giles Corey, que fora comprimido por várias pedras em cima de seu corpo, uma prática conhecida nas inquisições católicas na Europa medieval.

Resultado

A colônia americana era habitada por cristãos puritanos que fugiram das perseguições que sofriam na Europa por sua crença, e este mesmo caso de fanatismo religioso em Salém demonstrou a sociedade que eles mesmos perseguiam e eram intolerantes a outras religiões em seu território. Desde então a liberdade de culto religioso nas colônias foi amplamente discutido pelas autoridades civis e religiosas. O próprio juíz Samuel Sewall , que presidira o tribunal da morte em Salém, lamentou seu julgamento e anos depois revelou ter sido precipitado e injusto nos julgamentos no povoado, onde vários camponeses inocentes perderam a vida em um claro caso de intolerância religiosa, episódio conhecido desde então como as Bruxas de Salém.

Samuel Sewall